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Editoriais - Volume 2
 

Enfim, entregamos ao leitor o segundo número da revista eletrônica Hipertextus. Os motivos da demora em relação ao número de estréia são vários e vão desde os mais prosaicos (como o aperto de tempo em que todos vivemos) até problemas com máquinas e tecnologia (computadores queimados, placas-mães perdidas, HDs pifados). A tecnologia sempre nos pregou peças, desde o radinho de pilha. Os computadores podem pregar peças ainda mais graves do que perder o jogo clássico de domingo.

O processo de produção deste número de Hipertextus mudou. Em 2007, a edição foi delegada a mim pelo prof. Antônio Carlos Xavier, que confiou em minha alguma experiência na edição de outros periódicos, não apenas na área de Letras. Desde então, abrimos a chamada de trabalhos, recebemos textos originais, que seguiram para a avaliação por pares, sem os nomes dos autores, o que garantia a avaliação imparcial de cada um de nossos colaboradores. Cada texto submetido à revista era enviado para dois especialistas no assunto abordado pelo artigo. E então começou a saga para montar uma edição bem-feita deste periódico.

Das duas dezenas de textos recebidos, alguns foram aprovados pelos dois pareceristas. Pequenos ajustes foram solicitados, mas esta situação é bastante confortável. Dois SIM soam bem aos ouvidos (e aos olhos) do editor e talvez isso aumente a chance de o leitor também agradecer pela oferta. Dois NÃO deixam um gosto amargo na boca do editor, talvez mais na do autor, mas isso não é de todo ruim. Para quem edita o periódico, resta a confiança nos pareceristas e a tarefa ingrata de contar aos autores que seus textos precisam de ajustes bem além do possível para os prazos da revista. Em vários casos, seria possível que se fizesse a substituição de palavras, a retomada de alguns assuntos, a melhor organização do texto, a reescrita de certas seções, mas é contra o tempo que corremos, não contra o autor-pesquisador. A depender do parecerista, são apontados problemas graves de conceituação, afirmações taxativas sem fonte ou referência, discussões duvidosas e mesmo problemas de "língua", que querem, no mais das vezes, dizer que o texto precisa de uma revisão gramatical bastante cuidadosa. As portas, no entanto, continuam abertas. Especialmente para autores que se dispõem a entender os NÃO como oportunidade de refazer e de melhorar.

Essa é a parte fácil da edição de um periódico científico que, de fato, trabalha com um conselho de especialistas. A parte difícil vem agora: um SIM e um NÃO. A discrepância nos pareceres torna tudo mais complexo. É preciso convocar um terceiro avaliador para um voto de Minerva. Isso poderia ser feito pelo próprio editor, mas ele já conhece a autoria dos textos, tem menos condições de ser neutro. É preciso procurar um especialista, enviar o texto novamente e aguardar um terceiro parecer. Se vier um NÃO, o texto é devolvido ao autor (aquela tarefa chata). Se vier um SIM, publique-se. Raramente o editor escapa da imensa curiosidade de ler o que dizem os pareceres disparatados. O que, em um texto acadêmico, pode ter seduzido um leitor e não outros? O que diz o avaliador do SIM que discrepa dos avaliadores do NÃO? Posicionamentos teóricos, leituras menos ou mais atentas? O fato é que é necessário respeitar as decisões.

O tempo correu normalmente, mas as tarefas de editar um periódico parecem não caber no calendário. Deixar o leitor esperando não é de bom tom, mas não estávamos parados. Muito trabalho acontecia, por trás deste template, para que este número 2 viesse a público. São 12 textos que fomentarão a discussão sobre aspectos ligados às linguagens e às tecnologias, sendo 10 artigos e 2 resenhas de obras que funcionam como teasers ou sugestões de leitura. Após a seleção, uma revisão fina de português, a formatação, a disposição de informações sobre os autores, detalhes que tomam tempo.

O primeiro texto, de Conrado Moreira Mendes (UFMG), trata de métodos e técnicas da pesquisa on-line, ou melhor, da pesquisa em/sobre meios digitais. Não por acaso, este é o primeiro artigo desta série: é nele que o autor trata de aspectos importantes da metodologia científica quando se abordam investigações em/sobre novas mídias. Trata-se de um texto esclarecedor, ótimo apoio à discussão sobre como empreender pesquisa na área.

As relações entre tecnologias e aprendizagem são um dos focos de nossos interesses. O tema é abordado nos textos de Maria do Rosário Ferraz Sailler (UFPE) e Sérgio Roberto Costa (Unincor). A autora aborda aspectos da leitura da imagem e chega às peculiaridades da imagem interativa. De relance, traz uma discussão sobre o ensino e a aprendizagem por meio da imagem e da interatividade. Já Costa faz a análise do discurso de aprendizes e professores envolvidos em interações mediadas por ambientes virtuais (no caso, o Teleduc). Ambos os artigos partem de experiências empíricas com estudantes, traço bastante característico das pesquisas em Lingüística Aplicada ou em áreas também interessadas na aprendizagem, no ensino, na leitura e na escrita do leitor de telas e textos.

Não poderia faltar a abordagem sobre o leitor. Ivandilson Costa (UFPE/UERN) trata da publicidade em meio digital, partindo de características importantes da publicidade impressa. Por sua vez, Valéria Cristina Bezerra (UFC) aborda o desempenho do leitor de hipertextos, sem deslumbramentos, olhando sempre pelo retrovisor dos estudos da história cultural. E a autoria não foi preterida neste número de Hipertextus. O difícil tema (ainda mais em tempos de dispersão) é tratado por Evandra Grigoletto (UPF) a partir de leituras seminais, como Foucault, por exemplo.

De outro ângulo, mas ainda passando pela autoria e por processos colaborativos, Tenaflae Lordêlo (UFBA/Favip) mostra o funcionamento de fóruns de discussão que deveriam estabelecer melhor interface entre o cidadão e a governança. Já Carlos Frederico D'Andrea (UFV/UFMG), na esteira de suas reflexões consistentes sobre a famigerada web 2.0, discute e esclarece sobre os processos de produção de sistemas wiki, tomando como exemplo a Wikipédia. Na literatura, Tatiana Gomes Leandro Matzenbacher (UniRitter) analisa um conto de Osman Lins, tomando como base os conceitos de hipertexto (para Pierre Lévy) e de rizoma (para Deleuze

Linguagens, semioses, textualidades. Não se poderia deixar de abordar a discussão dos gêneros textuais. Em se tratando da internet, os debates sempre fazem emergir os novos gêneros e uma nova textualidade originária do ambiente digital (inédito, então) e, no entanto, originada de experiências anteriores (impressas, portanto). É por esse viés que Tiago da Silva Ribeiro (PUC-Rio) discute as conceitualizações de gênero e veículo, tratando do e-mail e do blog.  

Depois da satisfatória leitura de 10 artigos (não necessariamente isto, nem nessa ordem, sequer neste tempo), encomendamos duas resenhas de obras que podem somar algo aos nossos estudos e às nossas pesquisas. Carla Viana Coscarelli (UFMG) nos empresta sua leitura cuidadosa de James Paul Gee, no livro What video games have to teach us about learning and literacy (traduzindo muito aproximadamente, O que os video games nos ensinam sobre aprendizagem e letramento). Uma vez que a discussão sobre hipertexto, leitura e autoria pode nos ter enfarado, parte-se para a “bola da vez”, os jogos, que, depois de décadas sendo considerados a segunda divisão das possibilidades tecnológicas, tanta vez pejorativamente chamados de “passatempo”, “puro entretenimento” ou “coisa de nerd”, conseguiram ganhar a atenção não apenas de grandes produtores, mas também de gabaritados pesquisadores. O olhar de Gee parece indicar as questões mais instigantes: Que características dos games poderiam ser apropriadas pela educação? Como pesquisadores, não basta repetir, fazer, correr contra o tempo e os índices de produtividade, é preciso estar atento aos olhares dos outros, não apenas ao que eles lêem, mas também a para onde eles olham.

Fechando a edição 2 de Hipertextus, ou, ao menos, no rodapé, uma resenha da editora (CEFET-MG) sobre uma obra que, se não trata diretamente de educação, tecnologia e linguagem, trata de informação, fluxos, explosões de conteúdos, publicação e responsabilidade editorial. Em Inimigos da esperança, de Lindsay Waters, descobre-se um bom motivo para pensar mais sobre a importância de ser leitora, autora e editora.

Convido nosso leitor a navegar pela Hipertextus, a ler os artigos aqui publicados, com aquele ânimo aberto de quem aprende, mas também com a experiência de quem pesquisa e discute. Nem tudo aqui é consenso, nem todos os textos são angulares, toda conversa é válida, se for em tom de colaboração. Nesta edição, autores de norte a sul do Brasil mostram que nossos temas prediletos têm sido vistos e revistos país afora. E se for o caso de reescrever esta revista, já aproveito o ensejo para convidar o leitor e se tornar autor no número 3 de Hipertextus.

Bom passeio! Acessar Volume 2


Ana Elisa Ribeiro
Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG)