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Editoriais - Volume 7
 

Caro (hiper)leitor,

Com grande prazer, apresento-lhe a 7a. Edição da Revista Hipertextus. São oito textos acadêmicos que revelam o crescimento da qualidade das pesquisas sobre a relação entre a linguagem e a aprendizagem mediada por tecnologias diversas. Divulgá-las é a missão deste nosso periódico científico.

Abrimos esta edição com o ensaio de Jean Clément intitulado Hipertexto e Complexidade. Originalmente publicado em francês, o texto mereceu a tradução e sua publicação em português por fazer um paralelo interessante com esses dois temas tão contemporâneos na academia. Clément defende que a complexidade científica e literária pode ser relativamente controlada pelo hipertexto, em razão da sua fluidez, abertura e dinamicidade, características encontradas tanto na ciência quanto na literatura. 

Matilde Gonçalves, da Universidade Nova de Lisboa, postula ser o site ou sítio web, como ela prefere, uma "espécie de texto" diferente dos gêneros digitais existentes na Internet. Em seu artigo "Espécie de texto": contributo para a caracterização do sítio web, Gonçalves analisa alguns parâmetros de gêneros a partir da classificação teórica de autores como Jean Michel Adam, entre outros, e conclui afirmando que o site é um gênero em processo de estabilização.

Os conceitos de privacidade e transparência flexibilizados ultimamente pela mídia e especialmente por servidores como o Google são discutidos no artigo A Corrosão da privacidade na visibilidade mediática avançada: da luta pelo reconhecimento à quase impossibilidade do anonimato dos autores Décio Ferreira e Janete Santos. O texto parte do contexto histórico de Ariès até chegar ao século XX para discutir os paradoxos da transparência em razão da abertura quase infinita de informações sobre o sujeito da Cibercultura.

Como os jogos digitais ancorados em uma rede social educacional pode motivar os alunos a estudar com mais prazer foi a questão investigada pelas pesquisadoras Carla Alexandre e Flávia Peres. No trabalho, que tem como título A Educação que motiva: o uso de rede social e jogos a favor da aprendizagem significativa, as autoras analisaram as interações discursivas dos alunos enquanto jogavam e concluíram que a competitividade e diversão dos jogos podem levá-los a aprender cooperativa e significativamente.

A autora Pollyanne Bicalho Ribeiro, em seu artigo Efeitos representacionais na/da EaD, faz uma reflexão sobre as práticas discursivas relativas à Educação a Distância, partindo das representações sociais que são utilizadas pelos sujeitos envolvidos nesta modalidade de ensino. Tais representações são materializadas nos discursos produzidos pelos sujeitos envolvidos com EaD, e que foram analisados neste trabalho.

As autoras Scheilla de Souza e Maria D'Ajuda Ribeiro focam seus olhares analíticos sobre o filme As Melhores coisas do mundo. O objetivo foi discutir como as TIC interferem na identidade do jovem contemporâneo revelada pelo filme. O artigo Entre blogs, cyberbullyng e As Melhores coisas do mundo: linguagens e interações juvenis contemporâneas mostra como o próprio filme é uma tecnologia que, ao revelar o modus vivendi da juventude atual, parece reforçar este modelo por tematizá-lo e por exibi-lo a milhares de jovens membros da cultura digital.

Carlos Henrique de Castro destaca, em seu artigo Comunidade virtual de aprendizagem situacional e estendida: conceitos que emergem a partir da análise da efemeridade das relações, a diversidade de tipos de comunidades. Percorrendo uma larga bibliografia sobre o tema, Castro percebe dois tipos de relações comunitárias, a saber, as Situacionais, que têm objetivos específicos, e as Estendidas, que refletem fortes laços de relacionamento entre seus membros. No momento em que eclodem as comunidades na Internet hoje, torna-se fundamental conhecer seus diversos tipos, objetivos e especificidades.

O fechamento desta edição tem uma saborosa reflexão literária. Everton Vinicius de Santa, em A Literatura em meio digital e a crítica literária, empreende uma fascinante discussão sobre a questão da entrada da literatura nas mídias digitais em face à resistência natural da crítica literária forjada historicamente em ambiente analógico. Como ponto de partida central, o autor adota a perspectiva de que a construção do texto literário sofre a influência direta do ciberespaço e que a teoria-crítica literária precisa discutir e reconhecer este novo processo de produção de literatura.

Esperamos que estes artigos, além de suscitar boas discussões sobre o impacto das tecnologias digitais nas formas de aprendizagem de linguagens (verbal, visual, sonora e digital), possam contribuir para despertar em nosso leitor a necessidade de continuar pesquisando e publicando reflexões que nos permitam enxergar com mais nitidez qual deva ser nossa postura como pesquisadores, educadores e consumidores de linguagens em ambientes cada vez mais tecnologizados.

Boa (hiper)leitura! Acessar Volume 7

Antonio Carlos Xavier
Editor - NEHTE/UFPE